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Rotas turísticas

Rota da Cultura Castreja

A Cultura Castreja do noroeste peninsular apresenta forte personalidade e uma originalidade por todos reconhecidos. Desde pequenos povoados do final da Idade do Bronze até ao aparecimento de grandes aglomerados urbanos, no final da Idade do Ferro, esta cultura conheceu importantes inovações que marcaram a “primeira Europa”. Guimarães e concelhos vizinhos tiveram a sorte de terem sido explorados por Martins Sarmento, grande arqueólogo que soube evidenciar e valorizar os vestígios destes nossos antepassados. Esta sugestão procura revelar o património arqueológico da região em termos de cultura castreja, homenageando também Martins Sarmento pela sua sensibilidade em desvendar as nossas raízes históricas mais profundas.

Conhecer o nosso Passado é um dever, mas acima de tudo é um prazer.

 

1. A Sociedade Martins Sarmento é uma Instituição Cultural fundada em 1881. Ao seu valioso e diversificado património pertence o Museu Arqueológico "Martins Sarmento", principal referência da cultura castreja em Portugal e um dos mais importantes museus de todo o espaço europeu onde se manifestou aquela cultura. O museu nasce em 1885 com a inauguração de um Depósito de objectos de valor arqueológico e a partir de 1888 foram criadas condições para a sua instalação condigna numa galeria criada sobre o belo claustro de S. Domingos (século XIV).

Tel: 351 253 415 969; email: sms@msarmento.org; http://www.csarmento.uminho.pt/

Terça a Sábado: 9.30h - 12.00h / 14.00h - 17.00h

Domingo:10.00h - 12.00h / 14.00h - 17.00h

Encerrado às segundas e feriados.

 

2. A vila de Caldas das Taipas foi desde sempre um movimentado e dinâmico local de passagem, e uma boa opção para uma paragem, já que dispõe de vários atractivos, entre os quais se destaca uma antiga estância termal. A utilização terapêutica das suas águas remonta ao Império Romano. A comprová-lo, podemos encontrar, junto à Igreja Matriz da vila, um enorme bloco de granito - Pedra ou Ara de Trajano, com uma extensa inscrição em latim dedicada ao imperador romano Trajano Augusto, denunciando a procura e utilização, durante a época imperial, destas águas medicinais. A poucos quilómetros do centro da vila estão localizadas as estações arqueológicas do Castro de Sabroso e da Citânia de Briteiros, constituindo-se, sobretudo esta última, como um dos mais significativos exemplos de "Cultura Castreja" do nosso país e prova exemplar da existência de povoados pré-romanos nesta região. O visitante pode ainda desfrutar de um parque junto ao rio, abundantemente arborizado, com várias infra-estruturas desportivas e de lazer: courts de ténis, piscinas, circuito de manutenção, parque de campismo e praia fluvial. A indústria, nomeadamente a das Cutelarias, está fortemente implantada nesta vila sendo simultaneamente um dos seus principais cartões de visita e importante factor de desenvolvimento.

A 7,5 km do centro da cidade.

 

3. Taipas Termal. Esta estância termal foi já utilizada na época dos romanos, que aí construíram instalações balneares. As obras de modernização da estância, que tiveram início nos meados do século passado, destruíram quase totalmente o que restava das antigas termas, conhecidas por "banhos velhos". As actuais instalações termais encontram-se localizadas no interior de um frondoso parque, junto á margem direita do rio Ave. Nas nascentes sulfurosas as águas medicinais brotam a uma temperatura de 32 graus centígrados. Dispõe de modernos equipamentos de hidrologia, de uma piscina de água termal coberta, um ginásio de manutenção, sauna e solarium. A 7,5 km do centro da cidade.

Época Termal - 1 de Abril a 20 Dezembro; Indicações terapêuticas das águas termais:

Doenças da pele, reumatismo, artritismo, doenças intestinais e doenças de estômago.

Propriedades das águas: Hipotermais, hipossalinas, bicarbonatadas e sódicas, sulfúricas e salicilosas.

Taipas Termal

Largo das Termas

4805 - 079 Caldas das Taipas;

Tel: 253 577 898; geral@taipastermal.com; http://www.taipastermal.com

 

4. O Museu da Cultura Castreja está instalado no Solar da Ponte, propriedade da Sociedade Martins Sarmento, construção do séc. XVIII/XIX com um belo Parque, foi residência da família de Francisco Martins Sarmento. Este colocou a sua inteligência ao serviço da sua curiosidade ilimitada e tornou-se um respeitado investigador de nível europeu. O Museu da Cultura Castreja é o primeiro espaço dedicado à cultura castreja, cultura autóctone que apenas existe no noroeste peninsular e é a matriz cultural desta faixa atlântica da Península Ibérica. O Museu evidencia a importância daquela cultura, constituindo, também, o justo preito de homenagem ao Sábio que a libertou do manto de encantamento com que as mouras a esconderam durante séculos.

Museu de Cultura Castreja

Solar da Ponte

S. Salvador de Briteiros

A 14 km do centro da cidade

Diariamente das 9.30h - 12.30h / 14.00h - 18.00h

Encerrado nos dias 25 de Dezembro, 1 de Janeiro e Domingo de Páscoa.

Tel: 351 253 415 969; email: sms@msarmento.org; http://www.csarmento.uminho.pt/

 

5. As ruínas arqueológicas de Briteiros são uma prova extraordinária da existência de um importante povoado primitivo, de origem pré-romana, pertencente ao tipo geral dos chamados "castros" do noroeste de Portugal. Evidenciam nitidamente caracteres da cultura castreja, ainda que fortemente romanizados no começo da era cristã. Martins Sarmento, etnólogo e arqueólogo célebre, nascido em Guimarães em 1833, ocupou-se do estudo científico destas ruínas, tendo dado um contributo decisivo para a sua divulgação, estudo e estado de conservação. As numerosas construções, de vários tipos, dispostas um pouco livremente, mas obedecendo, contudo, a um ainda que insipiente esquema urbanístico, oferecem pistas impressionantes e muito objectivas para o conhecimento daquelas gentes tão remotas, alcandoradas no cimo dos montes e mesmo assim protegidas por várias cinturas de muralhas, cujos extensos panos ainda hoje se podem admirar. O espólio arqueológico destas ruínas encontra-se exposto, em Guimarães, no Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento.

A 14 km do centro da cidade.

Segunda a Domingo 9.30h - 18.00h

Tel: 351 253 415 969; email: sms@msarmento.org; http://www.csarmento.uminho.pt/

 

Rota do Centro Histórico

A política de reabilitação urbana do centro histórico de Guimarães, assente em princípios de salvaguarda da morfologia medieval e de recuperação e manutenção de técnicas construtivas tradicionais, é reconhecida a nível nacional e mundial. Por essa razão o Centro Histórico de Guimarães foi declarado Património da Humanidade pela Unesco em 2001, tendo em atenção o valor excepcional deste conjunto arquitectónico, um autêntico testemunho do desenvolvimento urbano da cidade, contendo uma enorme diversidade de expressões formais e construtivas que merecem ser preservadas e valorizadas.

 

1. Castelo. No século X a Condessa Mumadona Dias, após ter ficado viúva, manda construir na sua herdade de Vimaranes - hoje Guimarães - um Mosteiro. Os constantes ataques por parte dos mouros e normandos leva à necessidade de construir uma fortaleza para guarda e defesa dos monges e da comunidade cristã que viviam em seu redor. Surge assim o primitivo Castelo de Guimarães. No século XII, com a formação do Condado Portucalense, vêm viver para Guimarães o Conde D.Henrique e D.Teresa que mandam realizar grandes obras no Castelo de forma a ampliá-lo e torná-lo mais forte. Diz a tradição que teria sido no interior do Castelo que os condes fixaram residência e provavelmente aí teria nascido D. Afonso Henriques. Entre os séculos XIII e XV vários reis irão contribuir com obras de melhoramento e restauro do Castelo. Ligado a façanhas heróicas do período da fundação da nacionalidade como a Batalha de S.Mamede em 1128, razão porque é conhecido por Castelo da Fundação ou de S. Mamede, serviu ainda ao longo da sua história de palco a vários conflitos reais. Perdida que foi a sua função defensiva, o Castelo entra num processo de abandono e degradação progressiva até ao século XX, altura em que é declarado Monumento Nacional e são efectuadas obras de restauro.

Morada: No centro da cidade; Telefone: 351 253 412 273; Fax: 351 253 517 201; Email

pduques@culturanorte.pt; Endereço Web http://pduques.imc-ip.pt.

Horário:

Diariamente das 9.30h às 18.15h (última entrada 17h45)

Entrada gratuita

(Fechado - 1 janeiro; domingo de Páscoa; 1 Maio; 25 dezembro

 

2. Majestosa casa senhorial do século XV, mandada edificar por D. Afonso - futuro Duque de Bragança, filho bastardo do Rei D. João I - a qual lhe serviu de residência e à sua segunda mulher, D.Constança de Noronha. Palácio de vastas dimensões, com características arquitectónicas de casa fortificada, coberturas de fortes vertentes e inúmeras chaminés cilíndricas que denotam a influência da arquitectura senhorial da Europa Setentrional, trata-se de um exemplar único na Península Ibérica. O século XVI marca o início de abandono progressivo e consequente ruína que se agravaram até ao século XX. A reedificação do palácio começou em 1937 e prolongou-se até 1959, altura em que é aberto ao público e transformado em Museu cujo espólio é datado dos séculos XVII e XVIII. Das colecções existentes destaca-se pelo seu valioso contributo para a história dos Descobrimentos Portugueses, o conjunto das quatro cópias das tapeçarias de Pastrana cujo desenho é atribuído ao pintor Nuno Gonçalves (séc. XV), que narram alguns dos passos das conquistas do norte de África, nomeadamente Arzila e Tânger. Os originais foram mandados executar em Tournai, no século XV pelo rei português D. Afonso V encontrando-se hoje em Espanha. As cópias (únicas) foram adquiridas pelo Estado Português em 1957 sendo executadas em Espanha pela Real Fábrica de Tapices de Madrid. Encontramos ainda o núcleo de tapeçarias flamengas, nomeadamente as que foram executadas segundo cartões de Pieter Paul Rubens, cujos temas são episódios da vida de um Cônsul Romano. Estas tapeçarias são notáveis pelos panejamentos e jogos de sombra. Faz ainda parte do espólio do Museu a mostra de mobiliário português do período pós-descobertas, de que merece especial destaque o conjunto de contadores, desde os indo-portugueses, aos hispano-árabes de estilo mudéjar, aos belos bargeños espanhóis. A ornamentar o mobiliário temos uma grande colecção de porcelanas da Companhia das Índias, e faianças portuguesas das principais fábricas da época: Prado, Viana, Rocha Soares e Rato. Numa das salas encontram-se expostas algumas das armas que foram reunidas pelo segundo Visconde de Pindela, e mais tarde adquiridas pelo estado Português, cuja colecção compreende vários exemplares de armas brancas, de fogo e elementos de armaduras dos séculos XV a XIX. O edifício está classificado como Monumento Nacional.

Morada

Rua Conde D. Henrique,

4810-245 Guimarães

No centro da cidade

 Telefone

351 253 412 273

Fax

351 253 517 201

Email

pduques@culturanorte.pt

Endereço Web

http://pduques.culturanorte.pt

Horário:

Diariamente das 9.30h - 18.15h (última entrada 17h45)

Entrada Adulto: 5€

Entrada gratuita ao 1º Domingo de cada mês

(Fechado - 1 janeiro; domingo de Páscoa; 1 Maio; 25 dezembro)

 

3. Rua de Santa Maria. Foi uma da primeiras ruas abertas em Guimarães, pois destinava-se a ser um elo de ligação entre o convento fundado por Mumadona, rodeado pela parte baixa da vila, e o Castelo situado na parte alta da vila. É já referenciada por este nome em documentos do séc. XII, embora ao seu troço superior fosse dado o antigo nome de Rua da Infesta. Ao longo do seu percurso encontramos vários testemunhos arquitectónicos do seu passado: o Convento de Santa Clara, a Casa do Arco, a Casa dos Peixotos e a Casa Gótica dos Valadares, e tantos outros que lhe dão uma identidade própria e características na cidade de Guimarães.

Centro Histórico de Guimarães.

 

4. Praça de S. Tiago. Segundo a tradição, uma imagem da Virgem Santa Maria foi trazida para Guimarães pelo apóstolo S. Tiago, e colocada num Templo pagão num largo que passou a chamar-se Praça de Santiago. Praça bastante antiga, referida ao longo do tempo em vários documentos, conserva ainda a traça medieval. Foi nas suas imediações que se instalaram os francos que vieram para Portugal em companhia do Conde D. Henrique. Aí estava situada uma pequena capela alpendrada do séc. XVII dedicada a Santiago que foi demolida em finais do séc. XIX.

Centro Histórico de Guimarães.

 

5. Igreja de Nossa Senhora da Oliveira. As origens da Insigne e Real Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira remontam ao mosteiro dedicado ao Salvador do Mundo, à Virgem de Santa Maria e aos Santos Apóstolos, fundado pela condessa Mumadona Dias, cerca de 950. A invocação de Nossa Senhora da Oliveira prevalece após 1342, com o reverdecimento de uma oliveira na praça fronteira. A edificação atual evidencia as sucessivas remodelações e acrescentos, integrando elementos de diversas épocas - a reconstrução gótica impulsionada por D. João I; a torre da igreja de características manuelinas, concluída cerca de 1513-1515; a capela-mor, de arquitetura clássica, reedificada no séc. XVII por D. Pedro II; os estuques das capelas maior e colaterais são referências da reforma neoclássica iniciada em 1830; a última intervenção data do séc. XX e pretendeu deixar à vista o granito das paredes e as colunas de origem medieval. A igreja é classificada como monumento nacional desde 1910.

Morada

No centro histórico

Horário

Segunda a Sábado: 8.30h - 12.00h / 15.30h - 19.30h

Domingo: 9.00h- 13.00h / 17.00h - 20.00h

Entrada gratuita

 

 

Rota das Igrejas do Centro urbano

 

Rota da Zona de Couros

A tradição do trabalho do couro é já antiga em Guimarães. Encontramos notícias que a actividade que se desenvolvia, desde a Idade Média, fora das antigas muralhas junto ao rio que atravessa a Cidade, numa zona outrora conhecida por ser o burgo de Couros e onde actualmente ainda persistem os vestígios dessa ligação antiga à manufactura das peles.

Ao longo de séculos, as matérias-primas desta indústria foram os couros do gado bovino abatido na região. Depois, aparecem as peles oriundas do Brasil e de outras províncias ultramarinas como Angola e Moçambique. Foi sobretudo no século XIX e na primeira metade do século XX que o dinamismo económico se intensificou nos curtumes, andando associado aos conflitos bélicos que assolaram a Europa.

 

1. Largo do Trovador. A memória do “primeiro trovador português” está associada a este largo que se desenvolve num espaço inclinado e onde anteriormente existia um Pelourinho. O talento de um filho da Rua de Couros, Manuel Gonçalves, foi perpetuado na literatura histórica de Guimarães apesar de não terem permanecido vestígios da sua obra. Em 1880, a Câmara de Guimarães atribuiu esta designação toponímica por ocasião das comemorações nacionais do tricentenário de Luís de Camões. Este largo permanece na memória colectiva com outros usos do espaço público, como a utilização do terreno para o enxugo das peles no tempo em que aqui existia uma pequena fonte.

 

2. Rua de Couros. É ao longo da Rua de Couros que se situa o coração da tradição de curtir e surrar peles em Guimarães. As suas artérias estendem-se aos lugares que envolvem o rio que, no seu curto e sinuoso trajecto, invulgarmente conhece diferentes designações. Aqui é rio de Couros e corre na zona baixa desta rua que liga a Cidade ao pequeno curso de água que a atravessa quase invisível. Na Idade Média, quando se aperfeiçoaram as artes e os ofícios, esta rua já ostentava a actual denominação. Em 1315, os irmãos João e Pedro Baião, sapateiros de profissão fundaram a Irmandade de S. Crispim e S. Crispiniano e dotaram a instituição de uma fonte de rendimento legando uma poça com sete pias de pedra, situada na Rua de Couros.

 

3. Conjunto de tanques no Largo do Cidade. No final da rua de Couros e entrando no Largo do Cidade podemos observar o conjunto da antiga fábrica de curtumes Mirandas, Ferreira & Carvalho, Lda que deixou de funcionar no século XX. Esta fábrica resultou da união de pequenas manufacturas que aqui laboravam de forma independente. Se olharmos para esta estrutura vemos que é bastante irregular e diferente das outras existentes na zona de Couros. Esta característica revela-nos a sua antiguidade e assinala as práticas pré-industrais de exploração destes tanques, que pertenciam a diferentes proprietários e que eram arrendados muitas vezes individualmente aos homens dos Couros. O balcão enquadra os tanques e a sua relação com o rio. Vale a pena apreciar a forma como a água desaparece no labirinto de estruturas onde as peles eram mergulhadas nas demoradas operações para a sua transformação em couro. Neste processo a água tinha uma papel fundamental sendo reaproveitada ao máximo entre as diferentes fases.

 

4. Rua de Vila Verde. Esta rua conserva aspectos do modo como a organização urbana respondeu às necessidades dos operários. Apesar do ambiente insalubre, as casas cresceram partilhando muitas vezes as paredes com os edifícios fabris e com os campos de lavoura. Aqui, ainda se ouve a água das nascentes e minas que contribuíam para o aumento do caudal do rio que nesta zona era muito requisitado. Repare-se no contraste entre os edifícios que ladeiam a rua, de um lado as casas de habitação coloridas e os vestígios de antigas fábricas que pertenceram ao Cidade e que durante o século XX foram exploradas por José Pinheiro Guimarães, conhecido pela alcunha do “Roupa Seca”. O crescimento industrial registado no século XIX e primeira metade do século XX,  traduziu-se em sucesso para muitos curtidores, surradores  e negociantes.

Os rendimentos obtidos com o trabalho repercutem-se na melhoria das condições de vida. Aparecem edifícios habitacionais sóbrios e distintos, em articulação com o típico bairro operário. Aqui destaca-se pela sua presença a Casa Grande de Vila Verde, que pertenceu ao Comendador Manuel José Teixeira, abastado negociante ligado aos negócios de Couros. A intervenção urbana operada nesta zona em finais do século XX levou a uma alteração da configuração desta rua, ligando-a à Rua da Ramada e abrindo aos espaços circundantes onde surgiram novos edifícios.

 

5. Rua da Ramada. A Rua da Ramada está indissociavelmente ligada à indústria de Curtumes e ao processo de industrialização de Guimarães. Até à década de 1980 esta rua não tinha saída e aqui se concentravam algumas unidades industriais. O seu traçado foi sendo delineado e estendido à medida que surgiam construções fabris: na zona voltada para o rio instalaram-se as fábricas de curtumes no lado oposto existiu a já desaparecida fábrica têxtil que ocupava quase todo o quarteirão e cujo vestígio da sua cantina se encontra na construção em pedra adjacente ao edifício da antiga Fábrica Âncora.

 

6. Fábrica Âncora. A antiga fábrica Âncora, actualmente reabilitado para Centro de Ciência Viva, apresenta-se como um ícone da tipologia construtiva de Couros, revelando o universo arquitectónico pré-industrial que se inspirou na arquitectura rural tradicional seja na forma do traçado arquitectónico seja nas técnicas construtivas, adaptando-a a novas funções. Ao nível do rés-do-chão e em torno de um pátio amplo, desenvolvem-se as lojas para armazém de matérias-primas, para trabalhos de acabamento dos couros, bem como os lagares, as lagaretas e os pelames, onde se realizavam as diversas operações de curtir e surrar as peles. Ao nível do piso superior encontramos espaços cobertos, amplos e arejados, construídos em ripado de madeira, onde se efectuava a secagem das peles. Esta unidade fabril possuía ainda um pombal com a finalidade de garantir o acesso a uma das matérias-primas necessárias para a transformação das peles: o excrementos de pombas.

 

7. Fábrica da Ramada. No conjunto da Rua da Ramada destaca-se o edifício da fábrica da António Martins Ribeiro da Silva, fundada na década de 1930 e que é conhecida por fábrica da Ramada. O edifício foi reabilitado para actividades académicas mas foram preservados os vestígios da sua arquitectura industrial, nomeadamente as cores da fachada, o “amarelo palha” e o “sangue de boi” das caixilharias referidos na documentação como características dos edifícios industriais da zona de couros. A antiga fábrica é símbolo da aposta na inovação tecnológica a que esta indústria assistiu. Apropriou-se da antiga viela de Soalhães, assim como do rio para expandir a área produtiva e poder instalar em espaços amplos a maquinaria necessária para o aperfeiçoamento tecnológico exigido, que passava pela substituição da tradicional curtimenta vegetal por processos que exigiam conhecimento de química aplicada. Essa transição para a curtimenta mineral com sais de crómio verificou-se nesta unidade industrial. Os pelames, tanques e lagares foram fechados originando um pavimento uniforme onde se instalaram os fulões ou tambores que permitiram acelerar o processo de transformação das peles, no entanto este processo químico tornou a actividade mais poluente. Apesar dos avanços tecnológicos implementados, a consciência ambiental de finais do século XX obrigou a novas exigência no tratamento dos efluentes, aumentando os encargos de produção. Esta fábrica laborou até 2005, estando sempre ligada à família Martins Ribeiro da Silva “os Painços”, tendo sido a última fabrica que fechou portas na zona de Couros. Actualmente está aqui instalado o Instituto de Design, resultado de uma parceria entre o Município e a Universidade do Minho.

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