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Delegação de Guimarães observou em Pontevedra benefícios de um Centro Histórico sem carros

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Miguel Lores, Alcalde de Pontevedra, ladeado por Domingos Bragança e Amadeu Portilha na reunião com a delegação de Guimarães
05 Novembro 2015

Visita enquadrada na preparação da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020 permitiu analisar medida sobre boas práticas de mobilidade. Centro Histórico pedonal revigorou cidade do noroeste de Espanha.

O Presidente do Município de Guimarães, acompanhado pelo Vice-Presidente e uma delegação da Unidade Operacional “Mobilidade e Transporte Local” da Estrutura de Missão da Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020, visitou esta quinta-feira, 05 de novembro, a cidade espanhola de Pontevedra, premiada este ano pela ONU no âmbito da transformação efetuada na sua mobilidade urbana nos últimos anos, período durante o qual a cidade foi sendo adaptada com o objetivo de eliminar o trânsito automóvel no seu Centro Histórico.

A reforma citadina permitiu melhorar a qualidade da vida urbana, ampliou o espaço público para a vida social, tornou o nível de acessibilidade universal e aumentou a segurança viária, num processo em que o cidadão passou a ter total prioridade, com a cidade a passar do «desconhecimento para o reconhecimento público».

«Com este modelo social inclusivo, verifica-se uma devolução do espaço público para as pessoas e o cidadão passa a ser o centro da ação municipal», considerou Domingos Bragança, durante uma participada conferência de imprensa realizada na sede do Município espanhol. «Este novo modelo de cidade elimina barreiras, promove a mobilidade e permite um equilíbrio no uso do espaço», acrescentou o Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, cuja opinião foi partilhada pelo Alcalde Miguel Lores. «Ao longo dos anos, esta reabilitação serviu, também, para reestruturar todos os serviços, levando as pessoas para o centro da cidade», disse.

Inicialmente, o processo gerou alguma controvérsia, mas o responsável de Pontevedra, cidade com 83.500 habitantes, afirma que as pessoas reconhecem, hoje, o sucesso da medida. «Houve uma coordenação de esforços e uma participação social por parte da população. Nesta rua estreita, por exemplo, passavam 14 mil veículos por dia! Hoje, não passa nenhum! Esta ausência de carros estimula a economia local e a realização de atividades desportivas todos os fins de semana», descreveu Miguel Lores, enquanto mostrava o centro de Pontevedra num passeio… pedonal.

Outra das decisões tomadas foi a restrição da velocidade para os 30 quilómetros em toda a cidade e rede viária sob a alçada do Município. A medida, acompanhada pela limitação do uso das vias públicas, gerou a ordenação do tráfego e dos espaços públicos e a emissão anual de dióxido de carbono (CO2), por habitante, foi reduzida para meia tonelada. Atualmente, a população de Pontevedra tem sido a única a crescer na província galega como consequência da qualidade de vida que a cidade gera com a devolução do espaço público aos cidadãos.