Guimarães acolhe reflexão nacional sobre os grandes desafios e o futuro da água urbana
Encontro promovido pela Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA) decorre a 14 e 15 de outubro, no âmbito de Guimarães Capital Verde Europeia 2026.
«REimaginar a Água Urbana» foi o mote da sessão de abertura da segunda edição do Seminário Nacional de Águas Residuais (SENAG 2026), que decorreu no Centro Cultural Vila Flor, reunindo responsáveis institucionais, entidades gestoras e especialistas para debater questões centrais para o setor, desde a adaptação às alterações climáticas à modernização das infraestruturas e à sustentabilidade dos sistemas de saneamento.
A iniciativa, promovida pela Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA), enquadra-se no programa de Guimarães Capital Verde Europeia 2026, reforçando a importância da partilha de conhecimento e da cooperação entre entidades na construção de respostas para os desafios ambientais e para a melhoria da qualidade de vida das populações.
Na sessão de abertura, o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, destacou que a distinção europeia deve traduzir-se em benefícios concretos para a comunidade, defendendo uma visão da sustentabilidade centrada nas pessoas.
"A sustentabilidade só cumpre o seu propósito quando se traduz em benefícios concretos para a comunidade. Não basta termos uma cidade mais verde. Temos de construir uma cidade mais saudável, mais preparada para os desafios climáticos, mais eficiente na utilização dos seus recursos e capaz de garantir melhores condições de vida a quem cá vive e a quem nos visita", afirmou, agradecendo "a quem aceitou vir a Guimarães pensar connosco, a quem nos pode ajudar a decidir melhor e a desafiar-nos mais".
O autarca sublinhou a importância estratégica da água e do saneamento nas políticas públicas, salientando que a preparação dos territórios para o futuro exige planeamento, investimento, prevenção e cooperação entre municípios, entidades gestoras, reguladores, academia e empresas.
"Uma cidade sustentável também se constrói debaixo dos nossos pés", referiu Ricardo Araújo, destacando o papel das infraestruturas de abastecimento, drenagem e tratamento de águas residuais na proteção da saúde pública, na preservação ambiental e na resiliência das cidades.
O presidente da Câmara Municipal reconheceu igualmente o contributo da VIMÁGUA para a concretização dos objetivos de sustentabilidade de Guimarães e Vizela, valorizando o trabalho dos profissionais que asseguram diariamente a qualidade e a eficiência dos serviços.
O secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, destacou o forte envolvimento do Município de Guimarães nas questões da sustentabilidade, sublinhando a importância da partilha de conhecimento e de boas práticas para acelerar a transformação ambiental.
"É um gosto poder ver uma autarquia tão envolvida nestas questões da sustentabilidade. Muito do trabalho faz-se de conhecimento, de ação, mas também de partilha de boas práticas", salientou, deixando também uma palavra de reconhecimento à VIMÁGUA e aos representantes das entidades, empresas, municípios e academia presentes no seminário, pelo contributo que têm dado ao setor.
Por sua vez, Daniel Rodrigues, presidente do Conselho de Administração da empresa municipal VIMÁGUA, destacou a importância da antecipação e da prevenção na resposta aos desafios das alterações climáticas, salientando o investimento em tecnologia para melhorar o conhecimento das infraestruturas e a eficiência da operação.
"Não reagir, mas agir é o que está subjacente a este plano do Município de Guimarães e da VIMÁGUA", afirmou, referindo os investimentos na inspeção, na monitorização das redes, na deteção de infiltrações e na limpeza preventiva. "Estas soluções permitem conhecer melhor as infraestruturas, antecipar problemas e intervir de forma mais eficiente, reduzindo custos e impactos ambientais."
Na intervenção de abertura, José Martins Soares, presidente do Conselho Diretivo da APDA, salientou os progressos alcançados na qualidade ambiental dos rios e zonas costeiras, defendendo, contudo, a necessidade de prosseguir o investimento na reabilitação e modernização dos sistemas de tratamento de águas residuais.
"Temos razões para nos orgulhar do caminho percorrido, mas não temos razões para acreditar que o caminho terminou", afirmou, sublinhando que o desafio atual passa por garantir que as infraestruturas existentes continuam preparadas para servir as próximas gerações.
O responsável destacou ainda os desafios futuros, apontando a nova Diretiva de Águas Residuais Urbanas, cuja entrada em vigor está prevista para o final de julho de 2027, como um marco importante para o setor europeu.
Após a sessão de abertura, o programa de quarta-feira prosseguiu com sessões dedicadas à gestão de crises perante eventos climáticos extremos, à preparação das infraestruturas de drenagem urbana e à utilização da inteligência artificial e dos dados para antecipar problemas e melhorar a operação dos sistemas de águas residuais.
O SENAG 2026 continua esta quinta-feira, 15 de outubro, com um programa centrado na recuperação e reutilização de recursos, na redução das emissões de carbono e nos desafios do financiamento da transição hídrica.
Ao acolher esta segunda edição do seminário, Guimarães reforça o seu papel enquanto espaço de encontro e partilha de conhecimento sobre os desafios ambientais, contribuindo para a construção de respostas mais eficientes, resilientes e sustentáveis.
