Domingos Bragança toma posse para o mandato 2021-2025 como Presidente do Município de Guimarães












Instalação dos órgãos do Município para o próximo quadriénio decorreu este sábado.
A tomada de posse dos titulares dos órgãos do Município de Guimarães para o mandato 2021-2025 realizou-se este sábado, 16 de outubro, no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor. Domingos Bragança foi reconduzido para o terceiro mandato como Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, numa sessão onde foram empossados, além dos membros do Executivo da Câmara Municipal, os deputados eleitos nas várias listas concorrentes à Assembleia Municipal, bem como os candidatos que encabeçaram a lista mais votada às diferentes Assembleias de Freguesia do concelho de Guimarães.
A sessão solene contou com a atuação de Ana Alexandra Almeida, acompanhada ao teclado por Sacha Vasiliev, na interpretação do Hino de Guimarães (abertura) e Hino Nacional (encerramento).
Leia aqui, na íntegra, o discurso de Tomada de Posse do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães. Discurso Presidente CMG
TOMADA DE POSSE DOS ÓRGÃOS DO MUNICÍPIO DE GUIMARÃES PARA O MANDATO 2021-2025
Discurso do Presidente da Câmara Municipal de Guimarães - Domingos Bragança
“Depois de escalar uma montanha muito alta, descobrimos que há muitas outras montanhas por escalar”
A frase que acabo de citar é da autoria de Nelson Mandela e abre o Programa Eleitoral com que me candidatei às eleições autárquicas do passado dia 26 de setembro.
Nos últimos 8 anos, escalámos coletivamente montanhas a que nos propusemos com determinação, com um conjunto de propostas transformadoras para Guimarães e para as suas gentes.
E foi o resultado dessas conquistas, e a ambição renovada de conquistas ainda maiores, que obtiveram a validação da maioria dos Vimaranenses.
Uma vontade expressa nas urnas que determinou a forma e a substância do elenco municipal que hoje tomou posse e que estará ao serviço de Guimarães.
É devida, e mais do que justa, uma palavra de reconhecimento a todos quantos, através da sua participação democrática na eleição finda, contribuíram para a escolha deste Executivo, da Assembleia Municipal e das 48 assembleias de freguesia do nosso concelho.
Foi essa vontade que ditou que, nos próximos 4 anos, eu seja o Presidente da Câmara de todos os vimaranenses, ambicionando continuar a escalar as mais altas montanhas.
Em 2013, iniciei as minhas funções enquanto Presidente de Câmara com o compromisso de Continuar Guimarães e de continuar a escrever uma História feita Futuro. De continuar a projetar a imagem de um município que é referência no país pelas suas boas práticas.
Um município que soubera preservar exemplarmente o seu património material e imaterial, que é Património Cultural da Humanidade, que acabara de ser uma das Capitais Europeias de Cultura mais aclamadas de sempre e que estava a celebrar um ano como Cidade Europeia de Desporto.
Já nessa altura, governar para todos era uma das minhas preocupações, como atestam os fóruns e debates de recolha de ideias com a sociedade. Não foi apenas uma discussão interna. Foi uma discussão que trouxe olhares externos, mais distanciados, que nos pudessem dar uma outra perspetiva de como Guimarães poderia ser ainda mais um território onde é bom viver.
Na governação, escolhi, em coerência com o meu modo de ser e estar, imprimir uma postura de abertura perante o crescente nível de exigência dos cidadãos do século XXI. Foram aprofundadas políticas e formas de participação cidadã, de proximidade com as pessoas de todo o território concelhio, consumadas várias reuniões de conselhos consultivos e iniciado um ciclo de reuniões de câmara descentralizadas, só interrompido no início da pandemia de Covid-19.
Só esta postura de abertura e de atenção ao outro é que permite pensar a governação do território a partir da realidade concreta das pessoas, empresas e instituições; e que, a ambição e esperança, constituídas na vontade coletiva, se concretize em projetos transformadores, para o desenvolvimento do território mais qualificado, mais justo e mais descentralizado, procurando esbater as assimetrias entre a Cidade, as Vilas e as Freguesias do concelho.
Não há memória de maior investimento fora do centro da cidade, do que aquele que foi efetuado nestes últimos 8 anos. Esta é uma boa marca dos meus mandatos a qual continuarei a densificar.
Mas, hoje, quero falar-vos dos novos caminhos para o futuro.
Quando chegarmos ao final do mandato que agora se inicia, não estaremos a falar do fim de um ciclo, mas antes a falar de uma cidade e de um território detentores de um conjunto de concretizações para que novos caminhos sejam trilhados.
São 3 as dimensões basilares da proposta de futuro para o nosso território:
Educação, Cultura e Ciência.
3 dimensões basilares que são a base dos 3 eixos de atuação do nosso programa. 3 eixos para que Guimarães seja um território onde é bom viver. Um território mais criativo, inovador, competitivo, digital e mais ambientalmente sustentável. Um território mais inclusivo, integrador, capacitado, coeso e tolerante.
A aposta na Educação, Cultura e Ciência será igualmente decisiva para uma economia cada vez mais forte e abrangente, capaz de possibilitar a integração dos jovens, aproveitando as suas diversas qualificações. Uma economia que incorpore as dimensões da criatividade, da ética, da ecologia, e da responsabilidade social.
Na base da minha convicção estão as sinergias que estas 3 dimensões despoletam:
Um território educador, cultural e de ciência é o que democratiza o conhecimento e que faz emergir o melhor que há em cada um de nós. É o que utiliza todos os seus recursos para proporcionar uma vivência que promova a aproximação e participação dos seus cidadãos na construção de uma boa sociedade, na base da ética, do deslumbramento da vida e da melhor compreensão do mundo e da nossa humanidade, e do sentimento de compaixão, do cuidar do outro, que a sabedoria nos inspira.
São novos os caminhos de futuro, quando reforçamos o papel de Guimarães enquanto cidade de formação e produção cultural, para o que contribuirá a instalação, no Teatro Jordão e Garagem Avenida, da Escola de Artes Performativas e Artes Visuais da Universidade do Minho e do Conservatório de Música de Guimarães.
São novos os caminhos de futuro, quando alargarmos a área classificada como Património Cultural da Humanidade, integrando a Zona de Couros.
Um território onde a ciência tenha como papel divulgar, formar e transferir conhecimento, é um território mais capacitado para incorporar no seu tecido socioeconómico, a competitividade à escala global, baseada em fatores distintivos como os da investigação tecnológica, inovação e criatividade.
São novos os caminhos de futuro, quando o Instituto Cidade de Guimarães se prepara para ser a sede do maior centro de investigação em medicina regenerativa da Europa, e quando um supercomputador verde, de nome Deucalion, vem afirmar a estratégia nacional de computação avançada, fazendo com que Guimarães, e Portugal, contribuam para que a Europa seja líder nessa área.
Dois projetos estratégicos que funcionarão no Parque de Ciência e Tecnologia, que potenciam a necessidade da construção da via do Avepark, com projeto já concluído e financiado pelo PRR.
São novos os caminhos de futuro, quando apostamos na criação da Academia de Transformação Digital, a instalar na Fábrica do Alto, em Pevidém. Uma infraestrutura que se dedicará à conversão ou reconversão de competências profissionais, adaptando-as às necessidades do tecido empresarial, para que este possa competir num mundo digital cada vez mais exigente.
São novos os caminhos de futuro, quando, em Guimarães, o Curso de Engenharia Aeroespacial, a instalar na Fábrica do Arquinho, na Caldeiroa, promete consolidar a sua Universidade do Minho enquanto instituição de ensino de referência internacional, dinamizando uma das zonas da cidade em franca e visível transformação.
Um caminho de futuro que preparará o futuro dos serviços turísticos e de restauração do território e que certamente será uma escola de referência nacional e internacional através da instalação da Escola-Hotel do IPCA, na Quinta do Costeado.
O trinómio Educação, Cultura e Ciência formará o cidadão do século XXI, um cidadão mais empoderado, exigente e participativo, e criará uma economia mais forte e sustentável.
Estou convicto que será a aposta nestas 3 dimensões basilares que permitirá alcançar 2 dos objetivos maiores para Guimarães: a coesão social e territorial e o desenvolvimento ambientalmente sustentável.
Nós, os Vimaranenses, temos um conjunto de normas e valores que nos caracterizam, mas o nosso território é um território plural.
O conceito de Coesão Social e Territorial, tal como o entendo, não pretende esbater essa pluralidade ou as diversas singularidades de cada uma das nossas freguesias. Pretende respeitá-la, tratando todos com a mesma dignidade e equidade.
É imperativo laçar a comunidade, através de um olhar atento às necessidades de todo o território Vimaranense. É o que me proponho continuar a fazer.
Continuar Guimarães, Com Todos e Para Todos, é continuar a desenvolver um território para melhorar a vida das pessoas, tendo, também, em atenção a solidariedade, em especial quando ela é mais necessária.
Vou chamar a esta solidariedade, PROXIMIDADE COM AFETO. Não uma proximidade que se finge que se tem, mas que é realmente sentida. Uma proximidade que se mostrou decisiva durante os momentos mais difíceis que atravessámos recentemente, enquanto coletivo. Uma proximidade com sentimento que convirja para a “felicidade” de todos, que possa ser uma atitude comunitária numa escala mais alargada e percecionada como o nosso modo identitário e de sentido de pertença de sermos Vimaranenses.
Daí eu ter dito que não há Vimaranenses de primeira e Vimaranenses de segunda, o que aqui, hoje, reitero.
Sem esquecer os contínuos apoios sociais para a população mais vulnerável, e os esforços que envidaremos para que em todas as freguesias uma IPSS possa prestar serviços de creche, apoio domiciliário, centro de convívio, centro de dia e lar, é na área da habitação que pretendemos escrever uma nova página.
Continuaremos as obras que promovam a eficiência energética dos edifícios do património imobiliário municipal, e, através do programa 1º direito, já protocolado com o Governo, reabilitaremos os prédios públicos do IRHU e proporcionaremos o apoio ao arrendamento para famílias carenciadas.
O futuro na habitação passará também pelas alterações ao Plano Diretor Municipal que se mostrem necessárias para a criação de bolsas de construção de habitação em todas as Vilas e Freguesias.
Protocolaremos ainda soluções de construção a custos controlados, que obedeçam a um caderno de encargos específico, e que permita a aquisição de habitação às famílias com rendimentos moderados.
Mas escreveremos também uma nova página no domínio do Transporte Público de Passageiros. A nova concessão de transportes, que entrará em funcionamento no próximo ano, levará o transporte a todo o concelho, com mais qualidade e de forma mais descarbonizada.
Uma revolução que prevê uma modalidade de transporte flexível, que dará resposta às populações mais distantes e isoladas.
Falar de transportes implica falar de caminhos que nos levam a novos horizontes. E mais uma vez, de futuro.
Junto do Governo, pugnaremos pela criação do Eixo Ferroviário de ligação à futura Estação de Alta Velocidade, aproximando, desta vez fisicamente, Guimarães da Europa. Um desafio a que convocamos todos.
Colocaremos em discussão pública o Estudo do Sistema de Mobilidade, elaborado pelo Professor Álvaro Costa, e implementaremos as soluções necessárias para uma melhor mobilidade no concelho, apostando em sistemas inovadores de transporte, bem como na utilização da atual linha ferroviária.
Ao segundo objetivo maior, chamaram-lhe utopia e sonho. O desenvolvimento ambientalmente sustentável que, desde 2013, procurei encetar em Guimarães mostrou-se o caminho certo. Um caminho que hoje está na agenda global, e que não pode deixar de ser trilhado, sob pena de vermos o mundo, tal como o conhecemos, sofrer alterações de desfecho imprevisível.
É por esse motivo que daremos continuidade ao Ecossistema de Governança Guimarães 2030, adotando políticas de sustentabilidade ambiental e neutralidade carbónica, com vista à submissão de uma nova candidatura a Capital Verde Europeia.
Estenderemos a criação de Brigadas Verdes a todas as Freguesias do concelho e continuaremos a aposta, bem-sucedida, no programa de Educação Ambiental PEGADAS, contribuindo para o reforço de Eco-Escolas e Eco-Freguesias.
A mobilidade ciclável e pedonal conhecerá um novo ciclo, com a ligação da Ecovia da Cidade à Ecovia do Ave, um projeto que requalificará as margens do rio Ave, de Donim a Gondar, ao que se juntarão os projetos das ecovias do Selho e do rio Vizela. E que caminhos de futuro abrirão estas ecovias! Da preservação ambiental ao recurso turístico. Da mera fruição das margens do rio à atividade física e ao bem-estar. Da deslocação por modo suave por todo o concelho ao longo dos rios. Mas essencialmente e tão simples: vivermos em harmonia com a Natureza apoiados numa forte consciência ecológica.
Este é um caminho irreversível!
É bem provável que sejamos levados a pensar que uma história com futuro deva ser uma história com aberturas infinitas para direções infinitas. Na verdade, nela poderão caber todos os sonhos, toda a nossa imaginação. Mas, alguns desses sonhos nós propusemo-nos concretizar com a envolvência de todos.
Por esse motivo, foram 30 os compromissos com que me apresentei a sufrágio. São esses os compromissos que nos vinculam nos próximos 4 anos, e que dão continuidade à visão estratégica que tem sabido merecer a aprovação dos Vimaranenses. Uma visão que se desmultiplica em várias ações e que consta de um Programa Eleitoral mais vasto e abrangente, onde estão vertidas as diferentes camadas de desenvolvimento que encontrámos como as mais adequadas para Guimarães.
Um trabalho que será sempre feito com o horizonte bem para lá das nossas fronteiras geográficas e que terá que contar com a grande oportunidade que é o Plano de Recuperação e Resiliência e o Próximo quadro comunitário. Instrumentos fundamentais para o desenvolvimento da Guimarães do Futuro e de toda esta região, nos anos que se avizinham.
Falei-vos, apaixonadamente, dos projetos mais ambiciosos contidos nos nossos 30 compromissos que eu, e a minha equipa, nos propomos concretizar. São estas as novas montanhas que convocamos os vimaranenses a escalar connosco.
São estes os novos caminhos de futuro que quero tornar possíveis, para que, Com Todos e Para Todos, possamos continuar o nosso Bem Maior.
Com uma certeza: no topo destas montanhas, encontraremos sempre novas e mais ambiciosas montanhas para escalar.
Obrigado a todos quantos nos confiaram esta MISSÃO.
Conto com todos os Vimaranenses.
VIVA GUIMARÃES.